Ainda arde o fogo do meu sofrimento

Me pego olhando para as chamas. Fúria voraz contida no pequeno espaço entre as paredes da lareira.
Pequenas, mas não inofensivas.
Penso sobre tudo o que me disseram. Já me disseram que nada se cria e nada se destrói. Isso é triste.
Vejo agora a madeira queimando.
Algo que fora um colosso verde agora jaz em pedaços, queimando lentamente.
Sua longevidade resumida em fagulhas e brasas.
Creio que eu já fui como essa árvore.
Já fui enorme.
Assim como cortaram a árvore, ele quebrou meu coração.
Assim como guardaram as lascas do que era a árvore, ele guardou os cacos do meu coração e, assim como no inverno queimo essas lascas, e no inverno dos sentimentos mortos naquele coração de gulo ele se aquece vendo os cacos do meu coração queimarem com as chamas que restaram do que um dia já foi a nossa paixão.
E eu aqui sem coração mas com excesso de sentimentos.
Não tenho onde guardar e não posso entregá-los a qualquer pessoa.
Então fico aqui, com todo esse oceano, vendo a vida se esvair como água parada.

#Anonimo

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